sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

TRANSFIGURAÇÕES HISTÓRICAS



É chato, acreditem. Dás por ti
a escrever uma vida, a cozer
com os dedos os restos avulsos
que crescem a partir do corpo,
e pega! «criticas o que projetas»
como lixo peganhento nos
bolsos que afinal foram sempre
teus: a propulsão dos clássicos
e a cegueira abstrata que depois
de Hesíodo enraizou o mundo.
E logo eu, que não acredito em
deuses, «indisposto para o folclore
histórico dos fascinados» com
comparativos destes nos bolsos
como símiles citadinos e cansativos,
 «disposto a renovar a moral do
mundo». O que me faz aceitar
a lança: Aos deuses, que deram
lugar a um homem de ridículas
licras azuis, sangue de boi, só lhes
deve restar a própria morte. A
esses mesmos que no monte
olímpico da finança, como
vozes em pano de fundo, ditam
e cagam honradas leis, mas
permanecem vulcões intocáveis.

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