sábado, 1 de dezembro de 2012

SENTADO E ATENTO



Aos vinte e oito anos estou capaz
de viver assim o resto da minha vida.
Sentado. Atento. O olhar fixo
em quadro branco sobre letra azul;
várias vozes, de fundo, hipnóticas
a amplificar pensamentos,
tanto na velocidade da concórdia como na da discórdia.
Hoje, e que as letras me salvem
do esquecimento, sei-o: entre as oito da manhã
e as oito da noite, quero estar
assim. Sentado. Atento. Enquanto
lá fora os carros passam, e o mundo
paciente e incompleto,
na procura de melhores dias, se vai aguentando.

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