sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A TUA MUSA




Convence-te primeiro de que te acha simpático,
de que se sente bem quando sair contigo.
Condu-la logo a casa, serve-lhe um par de copos
e, num dado momento, mordisca-lhe o pescoço.
Algumas vezes há-de querer ir para o quarto,
outras alegará uma indisposição
e outras há-de contar-te a vida por fascículos.
Mostra-lhe em cada caso a dose de carinho
que peçam os seus olhos. Sê generoso sempre.
Conserva-a junto de ti custe quanto custar.
Sem ela, a tua musa, não és ninguém, poeta.

Luis Alberto de Cuenca
[Trad. Nuno Dempster]

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