quinta-feira, 8 de novembro de 2012

SÚPLICA DE AMOR



Pela minha voz endurecida como uma velha ferida;
pela luz que revela e destrói o meu rosto;
pelo marulhar de uma solidão mais antiga que Deus;
por mim atrás e à frente;
por um ramo de avós que reunidos me pesam;
pelo defunto que dorme na minha costela esquerda
e pelo cão que lhe lambe as faces;
pelo uivo da minha mãe
quando molhei as suas coxas com um vómito escuro;
pelos meus olhos culpados de tudo o que existe;
pela deleitosa tortura da minha saliva
quando apalpo a terra digerida no meu sangue;
por saber que me apodreço.
Ama-me.

Héctor Rojas Herazo,
Um País que Sonha
100 Anos de Poesia Colombiana

Sem comentários: