quinta-feira, 15 de novembro de 2012

HINO AO SÉCULO XXI



A narração há de igualar ao caso
                                                                                                                                                             Gregório de Matos



A vida, disposta, está cheia de prazeres
que facilmente se transformam
em obrigação. Por exemplo, esta forma
não engana e tenho um trabalho
sobre um poeta satírico do século XVI
para fazer. Escrevo, é um facto,
mas deveria saltar fora deste poema
e, a partir do autor notoriamente em causa
– e não que não goste da sua duvidosa
acutilância -, deixar os dedos a uma deriva
condicionada que pouco tem a ver
com o que para já, para aqui, vai correndo.
Bem ou mal, dentro do pior cenário
que frequentei até hoje, como quem entra
num café obrigado por chove,
gosto de viver; mas a vida, disposta,
como disse, é cheia de obrigações em que a acreditação,
no gosto, só por si, não é de modo algum
suficiente. Obrigações à parte – e a simplicidade
como um pêlo deve vir sempre
ao de cima – eu gosto mesmo é de viver.
Se possível, e só porque não é, e daí
a epígrafe a confirmar teimosamente
a verdade – sem obrigação alguma a deturpar o prazer. 

Sem comentários: