domingo, 18 de novembro de 2012

CONSCIÊNCIA EVOLUTIVA



«A conversa começa nos bifes e acaba, fatalmente, na sopa. Porém, ninguém fala do problema cultural da sopa. Quando digo sopa estou apenas a tomar a parte pelo todo; podia dizer casa, mesa, cadeira. Umas décadas atrás ainda havia uma cultura popular rica de experiências materiais: um Homem sabia onde construir uma casa, sabia o que plantar, sabia coser um casaco, sabia comer o que é próprio da estação, sabia cozinhar com pouco. A gastronomia alentejana, antes de ser dos ricos, foi feita pelos pobres. Esse era o seu único património, um conhecimento prático da vida, da terra e do que nos rodeia. Ao reduzir a cultura popular a uma espécie de parque temático bacoco para espectáculos televisivos, empurrámos as pessoas para uma modernidade inconsistente, para uma miragem de abundância, para uma pobreza de corpo e espírito — tirámos-lhes as últimas hipóteses de se defenderem. Agora, as senhoras ricas ficam admiradas porque as raparigas de subúrbio não sabem fazer sopa para os filhos e dão-lhes hambúrgueres congelados e refrigerantes às custas do Estado

Cristina,
Malone Meurt

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