quinta-feira, 27 de setembro de 2012



Agrada-me quando vejo mudar o senhorio
E os velhos deixam aos jovens as suas casas,
E cada um pode deixar na sua linhagem
Tantos filhos que um deles possa ser valoroso:
Assim, parece-me que o século se renova
Melhor que pelas flores ou pelo cantar dos pássaros,
E quem dona ou senhor puder trocar,
Velho por novo, bem deve assim renovar-se.

Tenho por velha a dona, ainda que use chapéu(?)
E é velha quando não tem cavaleiro que a sirva;
Por velha a tenho se de dois amantes se contenta
E é velha se se entrega a um vilão;
Por velha a tenho se ama no seu castelo
E é velha se precisa de enfeites;
Por velha a tenho se a aborrecem os jograis
E é velha quando quer falar demais.

Jovem é a dona que sabe honrar alta linhagem
E é jovem pelas suas boas acções, quando as faz;
É jovem quando faz justo juízo
E contra o valor não age indignamente;
Jovem é se mantém o corpo belo
E é jovem a dona que se comporta bem.
É jovem quando não se importa em saber tudo
E quando, junto dos belos jovens, guarda a decência.

Jovem é o homem que empenha os seus bens
E é jovem quando tudo lhe falta;
É jovem quando gasta muito com seus hóspedes
E jovem é quando faz dons esplêndidos;
É jovem quando queima as arcas e os vasilhames
E organiza liças, justas e torneios.
É jovem quando lhe agrada servir as donas
E é jovem quando o amam os jograis.

Velho é o homem rico que nada empenha
E a quem sobra trigo, vinho e presunto;
Por velho o tenho quando oferece ovos e queijo,
Em dias carnais, a si próprio e aos seus companheiros;
Por velho, quando enverga o manto sobre a capa
E velho se tem um cavalo que dizem ser seu;
É velho quando quer um só dia estar em paz
E velho se pode gastar sem desbaratar.

Leva o meu sirventês velho e novo,
Jogral Arnaut, a Ricardo, para que ele o proteja
E diz-lhe que não queira acumular tesouros velhos,
Pois só com jovens tesouros poderá ganhar valor.

Bertrand de Born

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