terça-feira, 10 de julho de 2012

QUASE OBSCENO


Se quisesses ouvir o que digo à almofada
a vergonha no teu rosto seria a recompensa
São palavras tão íntimas como a minha própria carne
que padece da dor de uma recordação tua

Conto-te? Sim? Não te vingarás um dia? Digo:
Beijaria essa boca lentamente até ficar vermelha
E no teu sexo o milagre de uma mão que baixa
no momento mais inesperado e como por azar
o toca com esse fervor que inspira o sagrado

Não sou maldoso Tento apaixonar-te
Procuro ser sincero com o doente que estou
e entrar no feitiço do teu corpo
como um rio que teme o mar mas sempre morre nele

Raul Gómez Jattin

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