quinta-feira, 14 de junho de 2012

MANEIRISMO

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Um dia destes, numa aula da disciplina a que faltei hoje a exame por adormecimento – qual belo adormecido –, percebi finalmente o que é isso a que se chama de maneirismo. E hoje, depois de reler, para assim publicar, o último poema aqui do mictório, começo a acreditar que o tempo, neste período que atravessamos perpassa, no universo literário, a sua lança maneirista mais uma vez sem dó nem piedade, com as devidas diferenças que o desenrolar da história nos vai prometendo. Talvez a isto eu chame amaciar o pêlo e essa reformulação, que ultrapassa a análise histórica que originou o termo, possa hoje, no presente, ser muito mais complexa do que imagino. Correr o risco das palavras bonitas é sempre uma tentação e o recurso constante a referências e a anteriores modos de representação não o podem negar: vivemos numa época em que confundimos o que sentimos com o que devemos sentir e o desgaste, aplicado, faz de nós maneiristas presumidos. Procuramos nas formas que nos legaram, repetindo-as, polidas, a salvação e nunca compreender – pois não sabemos – o nosso presente. Estamos ainda, no campo da literatura, demasiado presos aos moldes científicos, e amaneirar – aqui entre nós, só para finalizar – tem um significante mesmo feio. Mais importante do que tudo no texto, é saber fazer feliz um professor e acreditar que percebi bem a sua definição de maneirismo. Contentamento em que sinceramente não me acredito e faz de mim uma pessoa que nunca sabe se se explicou bem ou o suficiente.
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