sexta-feira, 22 de junho de 2012

LUTA DE CLASSES

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abril de 2012


Moro cá por mim, na periferia,
e sei, às prestações, o que é isso
de viver bem sem estar do teu lado
do rio. Sonho contigo acordado
e o dinheiro, sinceramente, é-me
indiferente. Mas as tuas promessas
de vinho e queijo, não. Podes
bem ser o pão que me falta em dias
de maior preguiça, quando
a solidão não serve de companhia,
tudo aquilo que procuro ciente
de que os desejos podem morrer
por excesso de realidade e vida.
Ou não. Esquecendo o sugerido
expressionismo alemão, podes ser
um mero filme meu, português.
Desculpando-me me tu a brejeirice
e o sarcasmo típico, não sei se não
seria melhor na praia um “Romeu
e Julieta” para melhor e aburguesados
equilibrarmos, complementares,
os nossos opostos planos inclinados.


No fundo, no fundo: filmes,
vinhos, gelados, queijos ou nada,
praias e silêncios, quero que saibas
que tudo isso, menos tu, me é
de todo indiferente. Ou melhor:
dependente da tua presença.
Enfim, apeteceu-me simplesmente
escrever sobre (para) ti alguma
coisa; criar a partir da lógica
dos factos uma demagógica voz
recheada de novas promessas –
algo que contrarie a crescente falta
de paciência que me entope, a partir
da cabeça, as artérias do coração.
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