domingo, 8 de abril de 2012


A emoção fecha-se num quarto.
Há duas taças: uma com os frutos
a morrerem, outra cheia de água a evaporar-se.
O esplendor passa da taça negra para a taça branca
e uma janela assiste a mais este mistério.
Há moscas que embatem na vidraça
e tombam sobre as asas quando exaustas.
O sol dá ao quarto um movimento
que pode ser de verão ou ser de inverno.
Poeiras pelo fim da tarde. Vozes que sustentam
alguma realidade, mas longínquas.
Vir agora o coração pousar no meio
desta casa. Uma terceira taça.
Se alguém abrir a porta há-de ouvir as pulsações.

Carlos Poças Falcão,
Rotações, Cadernos Solares

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