terça-feira, 24 de abril de 2012

CRÍTICA LITERÁRIA

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Parece-me que a evolução da crítica acaba por, com uma “tradição da ruptura” (defendida por Octávio Paz), anular e não conseguir, teoricamente, efectivar uma crítica pós-moderna capaz de agregar os três pólos históricos e fundamentais para a compreensão dela própria e do objecto de estudo: o biográfico, o sociológico e o formalista. Só com a agregação destes três pólos podemos efectivar uma crítica – não diria plena, mas mais completa – capaz de anular a actual e hermética visão da corrente que defende a análise de um dado texto per si apoiando-se na sugestão bem aprofundada do século passado defendida pelos denominados “formalistas russos”. Sabemos que isto implica riscos sérios e convém não cair em hábitos falaciosos como os em que caíram os dois primeiros pólos depois do seu surgimento e prática, mas não quer isso dizer que, a medo, devamos anulá-los e fazer prevalecer, falaciosamente, a lógica capitalista ou neoliberal que nos vem regendo, como a autistas, depois da anulação da visão marxista do mundo patenteada em certa crítica de um passado não muito longínquo. Aliás, vendo bem, aqueles que defendem a literatura como não-utilitária, apercebendo-se ou não, estão ainda na senda dessa lógica marxista – oponentes cínicos e iludidos a qualquer tipo de liberalismo acabam refém dele por ineficácia e excesso de zelo. Pior, permanecem crentes na sua visão tal como aqueles que se reviam na biografia do autor ou como os seguintes no contexto sociológico dos próprios textos, fazendo-nos crer que um texto vem do nada e o autor, qual divindade, não existe enquanto individualidade comparticipativa mesmo que distorcida ou recriada, filho do nada que lhe foi imposto pelo seu meio ou por si próprio.
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