quinta-feira, 15 de março de 2012

HOMENAGEM A TOMÁS ANTÓNIO GONZAGA

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Gonzaga: podias não ter dito mais nada,
não ter escrito senão insuportáveis versos
de uma árcade pedante, numa língua bífida
para o coloquial e o latim às avessas.

Mas uma vez disseste:
«eu tenho uma coração maior que o mundo».
Pouco importa em que circunstâncias o disseste:

Um coração maior que o mundo –
uma das mais raras coisas
que um poeta disse.

Talvez que a tenhas copiado
de algum velho clássico. Mas como
a tu disseste, Gonzaga! Por certo

que o teu coração era maior que o mundo:
nem pátrias nem Marílias te bastavam.

(Ainda que em Moçambique, como Rimbaud na Etiópia,
engordasses depois vendendo escravos).

Jorge de Sena,
Peregrinatio ad loca infecta

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