quinta-feira, 8 de março de 2012

FUNDO PEDAGÓGICO


.
.
«”Por que é que a cama não se chama quadro”, pensava o homem e sorria; depois ria e tornava a rir até que os vizinhos batiam na parede e gritavam “Silêncio”.

“Agora é que isto se altera”, exclamou, e a partir de agora chamava à cama “quadro”.

“Tenho sono, quero ir para o quadro”, dizia ele, e de manhã ficava muitas vezes deitado muito tempo no quadro e pensava como é que agora havia de dizer cadeira, e chamou à cadeira “despertador”.

Então levantava-se, vestia-se, sentava-se no despertador e apoiava os braços sobre a mesa. Mas a mesa já não se chamava mesa, agora chamava-se tapete. (…)

E chegou-se ao ponto de o homem se ver forçado a rir quando ouvia as pessoas falar. (…)

Via-se forçado a rir, porque não entendia tudo aquilo.

Mas uma história divertida é que esta não é. Começou triste e acaba triste.

O velho homem do sobretudo cinzento já não era capaz de entender as pessoas – isso não era assim tão mau.

Muito pior era que elas já não eram capazes de o entender a ele.»

Peter Bichsel,
Histórias Infantis

Sem comentários: