sábado, 18 de fevereiro de 2012

UM COMBOIO DE POEMAS GENIAIS

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Passadas à frente as grossas partes logísticas e teóricas iniciais – introdução biográfica, advertimentos do tradutor, etc. – dei por mim, como suspeitava por experiência ocasional, a vir-me abundantemente com a poesia de Brecht. Certo é que o homem escreveu todos estes poemas em circunstâncias históricas muito particulares e revoltantes. Não convém porém descurar que a escolha desta selecção de Poemas em muito contribuiu comparticipativa para o meu êxtase sem ficar a cheirar “a leite”, ou a marisco, indicada para tempos como este em que vivemos.

Este primeiro, sem dúvida ideal para ser recitado nos transportes públicos caso transportassem, esses, todo o tipo de gente e classes. E não falo nos transportes públicos por acaso. Com as suas devidas e típicas vidraças que não deixam escapar os reflexos – quanto mais os maus cheiros –, nem o orador forçadamente em pé, tal como outros passageiros, deixariam incólume (que simpaticamente também contra mim fala e não só, contra essa pessoa que habita em ti e fazes de conta que não conheces, para que não haja dúvidas):

SENTE-SE…

Sente-se.
Está sentado?
Encoste-se tranquilamente na cadeira.
Deve sentir-se bem instalado e descontraído.
Pode fumar.
É importante que me escute com muita atenção.
Ouve-me bem?
Tenho algo a dizer-lhe que vai interessá-lo.

Você é um idiota.
Está realmente a escutar-me?
Não há pois dúvida alguma de que me ouve com clareza e distinção?

Então
Repito: você é um idiota.
Um idiota.
I como Isabel, D com Dinis, outro I como Irene, O como orlando, T como Teodoro, A como Ana.
Idiota.

Por favor não me interrompa.
Não deve interromper-me.
Você é um idiota.
Não diga nada. Não venha com evasivas.
Você é um idiota.
Ponto final.

Aliás não sou o único a dizê-lo.
A senhora sua mãe já o diz há muito tempo.
Você é um idiota.
Pergunte pois aos seus parentes.
Se você não é um I.
Claro, a você não lho dirão
Porque você se tornaria vingativo como todos os idiotas.
Mas
Os que o rodeiam já há muitos dias e anos sabem que você é um idiota.

É típico que você o negue.
Isso mesmo: é típico que o I. negue que o é.
Oh, como se torna fácil convencer um idiota de que é um I.
É francamente fatigante.

Como vê, preciso de dizer mais uma vez
Que você é um I.
E no entanto não é desinteressante para você saber o que você é
E no entanto é uma desvantagem para você não saber o que toda a gente sabe.
Ah sim, acha você que tem exactamente as mesmas ideias do seu parceiro.
Mas também ele é um idiota.
Faça favor, não se console a dizer
Que há outros I.
Você é um I.

De resto isso não é grave.
É assim que você poderá chegar aos 80 anos.
Em matéria de negócios é mesmo uma vantagem.
E então na política! Não há dinheiro que o pague.
Na qualidade de I você não precisa de se preocupar com mais nada.

E você é I.
(Formidável, não acha?)

Você ainda não está ao corrente?
Quem há-de então dizer-lho?
O próprio Brecht acha que você é um I.
Por favor, Brecht, você é um perito na matéria, dê a sua opinião.

Este homem é um I.
Nada mais.

Não basta tocar o disco uma só vez.*

*nas notas finais, relativamente a este poema, diz o tradutor que faz parte de uma série deles, concebidos inicialmente para serem gravados em disco


POEMA DO SOLDADO DESCONHECIDO SOB O ARCO DO TRIUNFO

1
Viemos das montanhas e dos mares
Para o matar
Apanhámo-lo nas armadilhas armadas
Entre Moscovo e Marselha.
Colocámos canhões apontados
Para todos os pontos por onde
Poderia fugir ao ver-nos.

2
Quatro anos nos reunimos,
Pondo o trabalho de lado, e de pé nos mantivemos
Nas cidades em ruínas, que anunciavam em várias línguas
Das montanhas aos mares
O lugar onde ele estava.
E no quarto anos matámo-lo.

3
Assistiram ao acto
Os que ele nascera para ver
De pé à sua volta à hora de morrer
– Nós todos.
E
Lá estava também a mulher que o dera à luz
E que não disse uma palavra quando o levámos.
Que essa mulher seja estripada!
Amém.

4
Quando o matámos tratámos
De transformar o seu rosto
Com as marcas dos nossos punhos.
Assim o tornámos irreconhecível
Para o não darem como filho de algum homem.

5
Fizemo-lo sair do aço.
Trouxemo-lo para a cidade.
Enterrámo-lo sob uma pedra e sob um arco chamado
Arco do Triunfo
Que pesa 1.000 quintais para que
O Soldado Desconhecido
Não se levante no dia do Juízo Final
E irreconhecível
Mas de novo e para sempre na luz
Não vá diante de Deus
Apontar-nos a nós, os reconhecíveis,
À justiça.


ELOGIO DA DIALÉTICA

A injustiça avança hoje a passo firme.
Os tiranos fazem planos para dez mil anos.
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são.
Nenhum voz além da dos que mandam.
E em todos os mercados proclama a exploração: isto é apenas o meu começo.
Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem:
Aquilo que nós queremos nunca mais alcançaremos.

Quem ainda está vivo nunca diga: nunca.
O que é seguro não é seguro.
As coisas não continuarão a ser como são.
Depois de falarem os dominante
Falarão os dominados.
Quem mais ousa dizer: nunca?
De quem depende que a opressão prossiga? De nós.
De quem depende que ela acabe? Também de nós.
O que é esmagado, que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha?
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.
E nunca será: ainda hoje.


ALGUMAS PERGUNTAS A UM «HOMEM BOM»

Bom, mas para quê?
Sim, não é venal, mas o raio
Que sobre a casa cai também
Não é venal
Nunca renegas o que disseste.
Mas que disseste?
És de boa fé, dás a tua opinião.
Que opinião?

Tens coragem.
Contra quem?
És cheio de sabedoria.
Para quem?
Não olhas aos teus interesses.
Aos de quem olhas?
És um bom amigo.
Sê-lo-ás do bom povo?

Escuta pois: nós sabemos
Que és nosso inimigo.
Por isso vamos
Encostar-te ao paredão
Mas em consideração
Dos teus méritos e das tuas qualidades
Escolhemos um bom paredão e vamos fuzilar-te com
Boas balas atiradas por bons fuzis e enterrar-te com
Uma boa pá debaixo da terra boa.


O seguinte, sem dúvida (e não me estou a lembrar dos assinalados daqui para a frente, para variar), é sem dúvida o que vai mais de encontro ao que penso no que diz respeito à veneração dos helénicos e de outros tempos dourados encabeçados naturalmente pela voz dos salvaguardados poderosos:

PERGUNTAS DE UM OPERÁRIO LETRADO

Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis.
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruída,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Só tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Índias.
Sozinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos Sete Anos.
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?

Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas.


Este que aí vem, já é outra história. Frisando bem o sentido de humor de Bertoldo, bem mais forte e politico do que o aparente de Ricardo Araújo Pereira (do que não digo “vendido” mas contraditório até que se anula, ele e mais uma série de humoristas portugueses mas não só, que tão bem, por fazerem “humor [dito] inteligente”, caem, como nódoas, nos panos de uma classe média encabeçada por engenheiros sem ideias próprias, e de outros tipos que tais e dos mais diversos géneros e feitios, descontando as poucas excepções), convenho-me a dizer que depois da experiência que foi o 25 de Abril, não excluindo as merdosas forças exercidas pelos interesses da direita, podemos concluir por experiência histórica que as situações não são assim lineares como nos faz ver o autor nalguns dos versos deste poema. Vá lá que ideia em si e o bitaite final acabam por não permitir a anulação de gosto da minha parte pelo todo, verso final esse que me leva a acrescentar que a dificuldade de aprendizagem, entretanto, já foi ultrapassada e o problema agora, generalizando, é mais um problema de dissimulação – de psicose individual e colectiva:    

DIFICULDADE DE GOVERNAR

1
Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar. Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se-ia a nascer o sol
Sem a autorização do Führer?
Não é nada provável e se o fosse
Ele nasceria por certo fora do lugar.

2
É também difícil, ao que nos é dito,
Dirigir uma fábrica. Sem o patrão
As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que
Seria da propriedade rural sem o proprietário rural?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.

3
Se governar fosse fácil
Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
E só porque toda a gente é tão estúpida
Que há necessidade de alguns tão inteligentes.

4
Ou será que
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a aprender?


Não só a escolha é óptima como a ordem também não fica atrás. Devo dizer no entanto que este poema desfaz a ideia infantil que tenho do Teatro, palco para aperfeiçoamento da injustiça do mundo. Eu sei e reconheço, é uma ideia mesmo infantil, no melhor e no pior:

MOSTRAI QUE MOSTRAIS

Mostrai que mostrais. Entre as diversas atitudes
Que mostrais ao mostrardes como os homens se comportam
Não deveis esquecer a atitude de mostrar.
Que cada atitude se funde sobre a atitude de mostrar.
O exercício é o seguinte: antes de mostrardes
Como é que um homem trai, ou se torna ciumento,
Ou fecha o negócio, olhai para o espectador
Como se quisésseis dizer-lhe:
E agora atenção, este homem vai trair, e vai trair assim.
Eis como ele se transforma quando o ciúme o assalta, eis o que fez.

Depois de fechar o negócio. Deste modo,
A vossa demonstração acompanhará a atitude de mostrar,
De proferir o que já está preparado, de finalizar a tarefa,
De continuar eternamente. E assim mostrareis
Que todas as noites mostrais o que mostrais, que já o mostrastes muitas vezes,
E a vossa representação terá qualquer coisa do trabalho do tecelão,
Qualquer coisa de artesanal. O que faz parte da demonstração.
A vossa aplicação constante para facilitar
A observação, para permitir o melhor entendimento
De cada acontecimento, tornai-o bem visível. E assim
Atraiçoar, fechar um negócio,
Ter ciúmes, tudo isso passará a ser
Uma função quotidiana como qualquer uma destas: comer, dizer bom dia ou
Trabalhar. (Porque vós trabalhais, não é verdade?) E por trás
Dos vossos personagens, vós permanecereis visíveis, como aqueles
Que vós apresentais.


(No início atentava eu contra o volume introdutório do tradutor do livro, Arnaldo Saraiva, e dou agora por mim a meio, e cansado, de um exercício bem menos fundamentado mas trabalhoso, presumivelmente desgastante para os corajosos que até aqui chegaram. Vou ali, com todo o respeito e uma boa dose de realidade, mijar e venho já.)

CITAÇÃO

Assim falou o poeta Kin:
Como escrever obras imortais, se não sou célebre?
Como responder, se ninguém me interroga?
Por que perder tempo com versos que o tempo perde?
Escrevo as minhas propostas em forma duradoura
Com medo que muito tempo corra sem que elas se cumpram.
Para atingir o que é grande há que passar por grandes transformações.
E as pequenas transformações são inimigas das grandes transformações.
Tenho inimigos. Logo devo ser célebre.


Este, que tal como o primeiro, já conhecia, é todo um hino às ciências sociais e humanas:

DA VIOLÊNCIA

Do rio que tudo arrasta se diz que é violento.
Mas ninguém diz violentas
As margens que o comprimem.


E este, um tratado sobre o (aparentemente autista) utilitarismo, pragmático q.b. na causa, justificada pelo título, e na execução:

A PROPÓSITO DA NOTÍCIA DA DOENÇA DE UM PODEROSO ESTADISTA

Se este homem insubstituível franze o sobrolho
Dois reinos periclitam
Se este homem insubstituível morre
O mundo inteiro se aflige como a mãe sem leite para o filho
Se este homem insubstituível ressuscitasse ao oitavo dia
Não acharia em todo o império uma vaga de porteiro.


Como se não bastasse, (e olhem que por mim já desistia de continuar) e só para ter que dizer qualquer coisa sobre o poema para lá da evidência, até um poema com o título de um dos meus filmes preferidos – “daqueles a p & b (?)”, como insinua jocosa e interrogativamente um amigo meu de cada vez que lhe digo que vi ou vou ver um. E olhem que tem razão, o Bertoldo:

OS TEMPOS MODERNOS

Os tempos modernos não começam de uma vez por todas.
Meu avô já vivia numa época nova.
Meu neto talvez ainda viva na antiga.

A carne nova come-se com garfos velhos.

Época nova não a fizeram os automóveis
Nem os tanques
Nem os aviões sobre os telhados
Nem os bombardeiros.

As novas antenas continuaram a difundir as velhas asneiras.
A sabedoria continuou a passar de boca em boca.


Temos também dos curtos e concisos:

EPITÁFIO PARA M.

Dos tubarões fugi eu
Os tigres matei-os eu
Devorado fui eu
Pelos percevejos.


E ainda daqueles esperançosos para lá da morte, que em particular, só para mim (também tenho direito a umbigo), coopera, sublinhando, a mensagem do último poema meu publicado aqui na casa:

DISPENSO PEDRA TUMULAR

Dispenso a pedra tumular mas
Se fizeram questão de me dar uma
Gostaria que nela escrito fosse:
Ele deu sugestões: nós
Aceitámo-las.
Uma tal inscrição
A todos honraria.

A dar-lhe muito certinho, com um ou outro que não foi aqui chamado, atenta ainda, embora ironicamente horaciano (que pinta que agora mandei!), contra os estilistas da rosa e das florzinhas que tanta impressão me metem, e não quero com isto dizer que não gosto de flores (e não, não me importa que pareça um bocado gaiolas esta última negação):

A LIÇÃO DO JARDINEIRO

Pequeno reino de sebes e canteiros,
O meu jardim me ensina
Que até a rosa nobre de Mileto
Tem de, para ser bela, ser podada.
Também ela deve compreender
Que a couve, o alho e outros legumes
De origem modesta, mas não menos úteis,
Têm, como ela, direito
À sua ração de água.
O jardim seria mato
Se só na rosa imperial pensássemos.


Dá-se até o autor ao luxo de escrever isto, devendo talvez aos mais virados para a água ou para o azeite, os lineares:

NÃO DEVERÍAMOS MOSTRAR-NOS TÃO CRÍTICOS

Não deveríamos mostrar-nos tão críticos
Entre o sim e o não
Não há tanta diferença como isso.
Escrever numa folha em branco
É bom
Mas não menos bom é dormir e comer à noite
A água fresca sobre a pele o vento
Os fatos bonitos
O ABC
Defecar.
Falar de corda em casa de enforcado
É contrário à boa educação
E marcar no meio do lixo
Uma nítida diferença entre
A argila e o esmeril
Não parece conveniente.
Ah,
E o que fizer alguma ideia
Do que é um céu estrelado
Esse
Pode muito bem calar o bico.


Guardando ainda este livro bilhetes de revolta actuais como sempre, moralmente fracturantes:

QUEM É O TEU INIMIGO?

O que tem fome e te rouba
O último pedaço de pão chama-lo teu inimigo
Mas não saltas ao pescoço
Do teu ladrão que nunca tem fome.


Ficamos finalmente por aqui, qual Carlos Lopes qual quê, até porque não gostei de mais nenhum e este desmascara ludicamente a mais premente e infeliz necessidade do homem racional. Diz um tal Wintzen que o senhor Keuner projecta a «imagem literária do próprio Brecht:

O ANIMAL PREFERIDO PELO SENHOR KEUNER

Quando perguntaram ao senhor Keuner
Qual era o animal que ele mais apreciava
Ele apontou o elefante e deu a seguinte razão:
O elefante alia a manha à força.
Não se trata da pobre manha suficiente
Para escapar a uma armadilha, ou subtrair
Sem dar nas vistas algo que comer, mas da manha
Que da força dispõe
Para grandes empresas. Larga é a pista
Que leva aos lugares por onde este animal passou. E todavia
Ele matem a sua naturalidade, compreende os gracejos,
É tão amigo como bom inimigo. Muito grande, muito pesado.
Mas também muito rápido. A sua tromba introduz
Num corpo enorme os mais pequenos alimentos,
Inclusive as nozes. As suas orelhas são móveis:
Só ouve o que lhe convém.
Também convive por muito e muitos anos. É sempre sociável
E não só com os elefantes. Por toda a parte é amado
Tanto como temido. Não deixa de ter graça
Que ele chegue mesmo a ser venerado.
Tem a pele espessa. Nela
Se quebram facas. Mas o seu coração é meigo.
Pode entristecer-se.
Pode encolerizar-se.
Gosta de dançar. Morre onde o bosque é mais espesso.
Gosta das crianças e de outros pequenos animais.
Tem a cor parda e só chama a atenção pela sua massa.
Não é bom para comer.
Pode trabalhar, e bem. Gosta de beber e fica alegre.
Faz qualquer coisa pela arte: fornece o marfim.


E pronto, mais umas horas de vida perdidas.

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