quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

NO SEGUIMENTO DO POST ANTERIOR

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Separar a parte biográfica e vivencial de um autor da crítica de uma obra sua, implica, como me sugere e bem Pacheco, uma dissimulação perigosa capaz de legitimar a sistemática e inocente irresponsabilidade dos muitos indivíduos ditos criadores (dos mais diversos quadrantes) que nos últimos tempos, e nem imaginam como isso me enerva, teimam em desmarcar-se das suas próprias criações (insistência propositada no ridículo da expressão) para não se comprometerem nelas. Para além de ser esta uma atitude demagógica, com todas as suas incalculáveis consequências, sem querer com isto passar atestados de culpa – pois não é isso que pretendo fazer, não faz sentido –, dou por mim, na vez de pensar em pedras, a pensar em portas sempre abertas, como as de braga, e naquelas portas usadas nos portais dos prédios, que se fecham mesmo quando lhes viramos costas. Não consigo esquecer que a literatura representa e transforma uma dada cultura e a própria cultura é um dos berços do aperfeiçoamento ético e social, tal como todas as outras artes, exercidas para complementar e dar uma maior profundidade à existência humana.

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