terça-feira, 24 de janeiro de 2012

MADURO TINTO

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Lembro-me que ia comprar uma garrafa de vinho e o mecânico dela era mesmo ao lado. Vinha de uma separação e não sabia estar sozinha. O carro… Sinceramente, já não me lembro do seu problema. Era dela. Depois de escolhido o de preço intermédio, com grau de álcool 14, limpo-lhe o pó e pago. Um velhinho. Simpático, mas desconfiado. Cá fora, quase em frente à saída, um bêbado esticado no meio da rua e uma senhora a tentar contrariá-lo.

Contava eu este episódio depois de passar na mesma rua e uma informação extra – pois história que se preze tem princípio, meio e fim, mesmo que fora do texto – trouxe outra profundidade à causa. Justificou este texto.

Quando vi que a escuteira não se safava e que os carros, quando passavam, aceleravam cada vez mais perto da cabeça, que se tentava encostar aos pneus do lado do morto a todo custo, decidi por voz à ordem. Alguns insultos e chapadas no focinho e pronto, lá o trouxe para fora do passeio.

Contava eu isto para matar o silêncio e a minha ouvinte lá me surpreendeu, recusa-se a parar quando o vê.

Sabe ela quem é e, pelos vistos e ditos, pois saiu do carro umas quantas vezes noutras ruas para ajudá-lo, com as mulheres é muito mais pragmático: «Se me deres um beijinho saio já daqui…».
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