quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

INDO INDO

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Pensei que duraria o meu tempo –
A sensação de que, para além da cidade,
Haveria sempre campos e herdades,
Onde labregos da aldeia poderiam
Trepar às árvores por abater;
Eu sabia que haveria falsos alarmes

nos jornais sobre velhas ruas
E centros comerciais de dois pisos, mas
Alguns todavia foram postos de parte,
E quando a zona velha se retrai
E chegam os tristes arranha-céus
Podemos sempre fugir de carro.

As coisas são mais resistentes do que nós,
Tal como sempre a terra reagirá
Por muito que lhe troquemos as voltas.
Despeja lixo no mar, se tiver que ser:
Ao largo, as marés estarão límpidas.   
– Mas o que sinto eu agora? Dúvidas?
  
Ou simplesmente, a idade? É jovem
A multidão no café da auto-estrada;
Os seus filhos estão a berrar por mais –
Mais casas, mais estacionamento grátis,
Mais parques para caravanas, melhor salário.
No suplemento de Economia, duas dúzias

De amarelos sorrisos com óculos aprovam
Uma qualquer fusão que implica
Cinco por cento de lucro (e mais dez
Por cento nos estuários): desloque
A sua fábrica para vales por arruinar
(subsídios para região deprimida)! E quando

Tu te tentas aproximar do mar
No verão…
      Parece, de imediato,
Que tudo sucederá muito depressa;
Apesar de toda a terra ainda livre,
De certo modo sinto pela primeira vez
Que isto não vai durar muito,

Que antes de eu me esticar, toda
Esta treta será emparedada,
Excepto os sítios turísticos –
Maior pocilga da Europa: um papel
Com um elenco de vigaristas
E putas, nada difícil de obter.

E assim se dissipará a Inglaterra,
As sombras, os prados, as azinhagas,
Os medievos salões, as madeiras entalhadas.
Haverá livros; demorar-se-ão
Em corredores; mas não mais nos
Restará senão betão e pneus.

A maioria das coisas está destinada.
Isto não, muito provavelmente; mas a ganância
E o lixo estão demasiado esmigalhados
Para que se possa varrê-los ou inventar
Desculpas que se tornem imprescindíveis.
Penso apenas que em breve assim será.
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Philip Larkin
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