sábado, 24 de dezembro de 2011

POÉTICA REALISTA

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Perdida parte do que escrevi
nos labirintos sem fio
dos circuitos, dou por mim
momentaneamente vazio.
Paga-se sempre um preço
quando de repente a máquina muda
e a vida também. No passado,
outros podem ter queimado tudo
o que escreveram. Eu esqueci.

Dou agora por mim arrependido
por trocar os dedos e não reconhecer
que para trás, noutras pastas,
devem sobrar provas duplicadas,
ficcionadas, para salvaguardar
a vida e os projécteis sombra
de momentos transformados únicos.

Irremediável, dou por mim
a acreditar que se não faço,
por falta de engenho, da literatura
a minha vida, fiz, a partir
dela, facetas que valem, humanas,
bem mais do que todos
os pontos cardeais soltos.
 
Vale bem a pena começar de novo
quando trazemos nos dedos, culpados,
a velada genética da destruição.
 
Só me resta, realista, acreditar nisto.
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1 comentário:

Maria Luiza Silveira Teles disse...

Daniel: Encontrei o seu blog e estou gostando muito de sua poesia. Vc é realmente um bom poeta! Convido-o a visitar-me: www.mluizateles.com e http://poesiauniversaldalu.com. Esse último é somente de poesias de minha autoria. Dê-me o seu parecer. Ficarei muito honrada.
Abraço amigo,
Maria Luiza