domingo, 4 de dezembro de 2011

DA GEOGRAFIA DO PASSADO À DO PRESENTE E DO FUTURO

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«Italianos, allemães, negros, têm sido, estão sendo importados para fazerem o trabalho duro que repugna aos senhores do solo. Mas, inaclimatados, em certos districtos, elles nunca poderiam labutar como os naturaes dos tropicos. Nem mesmo nas provincias mais temperadas do Imperio jámais os immigrantes trabalharão resolutamente – até que o exemplo lhes seja dado pela população indigena, senhora da terra. O brasileiro ou tem de trabalhar por suas mãos, ou então larga a rica herança que é incompetente para administrar. Á maneira que o tempo se adianta, vae-se tornando uma positiva certeza que todos os grandes recursos da America do Sul entrarão no património da humanidade».

O Times aqui embrulha-se. Prefiro explicar a sua ideia, a traduzir-lhe a complicada prosa; quer elle dizer que o dia se approxima em que a civilisação não poderá consentir que tão ricos solos, como os dos Estados do Sul da America, permaneçam estereis e inuteis, e que, se os possuidores actuaes são incapazes de os fazer valer e produzir, para maior felicidade do homem, deverão entregal-os a mãos mais fortes e mais habeis. É o systema de expropriação por utilidade de civilisação. Theoria favorita da Inglaterra e de todas as nações de rapina…

Eça de Queiroz,
Cartas de Inglaterra

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