quinta-feira, 17 de novembro de 2011

ESTUDOS PORTUGUESES E LUSÓFONOS

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É toda uma nova experiência encetada.

Depois de anos a calcar o chão das chagas,
o palco restrito a uma classe de choro,
embrutecida pela tv e pelas histórias
de porrada que acabam em supremacia,
chego então à faculdade, aos 27 anos.
Confesso: sinceramente, gosto. Muito.
Apesar de ainda fresco já perceber o ranço,
a problemática que assola o seu património,
não descanso um bocado os olhos:
as mulheres e o seu charme intelectual,
com as suas pernas e certos livros,
nomeadamente aqueles que me seduzem,
tratam-me da saúde e obrigam-me a sorrir. 

Latim, não, nessa cadeira em que me sento
sinto a apatia de um jesuíta sacrílego,
por muito que tente, e disponho-me teimoso
a continuar, a luz que vejo ao fundo
do túnel é sempre insuficiente, não chega:
tem vida a mais e procura associar os dentes.
Isto para não falar nas clássicas, que de uma novela
fizeram o mundo, a literatura, e do Aquiles
o Don Juan lutador que espero então vir a ser.
E se ilusões, dinheiro, não tenho, para pagar
as propinas pediram-mo emprestado, mudei
até de casa e voltei para aquela maravilhosa
com vista para o cemitério, mesmo assim
sinto-me feliz por manter o tempo ocupado,
por estas promessas de sonho e de risco
assumindo-me para dignificar a nossa época.
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