domingo, 13 de novembro de 2011

A COMPREENSÃO E O CONHECIMENTO, COM A IDADE, APARECEM, VICIAM E EU GOSTO, QUERO MAIS, MAIS E MAIS

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O ser trágico, principalmente o que se formou de uma tragédia, tem quase sempre tendência para o exagero, para amplificar o sucedido, e a ciência médica não o mente. Parece-me que a documentação histórica, directa ou indirecta, não percebe isso, acaba sempre por se iludir em pormenores emocionais que carecem de provas efectivas e demonstrativas. E se essa documentação é importante, até porque acaba por fazer alguma justiça, como se percebe agora com o personagem colectivo e deturpado a que chamamos, ainda ligados a um tom tosco e pernicioso, “retornado”, deve esta, com toda a convicção e seriedade, saber separar a emoção do corpo, entregar-se a uma lógica mais racional e séria tentando complementar os relatos que agora vem oportunamente ao de cima com os relatos de outros portugueses que por lá ficaram e com os dos povos do ponto de partida, os colonizados, de outros intervenientes. Só assim, e digo isto porque cada vez me sinto mais emocional, compreensível e influenciável, poderemos perceber o que efectivamente se passou, perceber que só se faz justiça quando todos as provas são irrefutáveis e não ilibam ninguém, ainda mais quando falamos das pessoas e da sua necessidade de sobrevivência, do seu modo centralizado de olhar o mundo. Não quero, portanto, com esta nossa temática histórica, mais do que tomá-la como exemplo despoletador, justificar a minha necessidade crescente de perceber o que me rodeia, sem amolecer com a emoção e o discorrer dos anos, e olhar para as pessoas com uma outra profundidade, a relatividade construtiva que nos falta.
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