domingo, 30 de outubro de 2011

CACIQUES CULTURAIS DE MARES SERENOS E ALGUNS BITAITES PARA PROCURAR ANIMAR A MALTA

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Não sei porquê, talvez por preconceito, há uma ou duas editoras em portugal – pondo de parte aquelas que são publicam a merda que ainda (ilusoriamente) equilibra, excita e hipnotiza o mercado livreiro – que não me permitem a gosto comprar qualquer livro seu. Pode parecer exagero, mas uma delas – não me estou a lembrar da outra e pode ser só engodo, acho que não – embora publique, uma vez por outra, um ou outro livro que à partida parece ir de encontro à minha curiosidade, surge-me inevitavelmente (neste cérebro talvez demasiado paranóico e cheio de dúvidas) cunhada com uma política de direita que, perdoem-me, não consigo de modo algum, intransigente, aceitar. A culpa, óbvia e não morrendo solteira é do seu editor. Pena que nos seus arquivos, por excesso de bom senso e talvez por vivermos num país em que toda a gente se conhece – gente de honra, doa a quem doer –, possuam um livro a ser editado, sabe-se lá quando, que seria uma estocada fantástica no panorama político e histórico que tem vindo a definir a nossa identidade um tanto ou quanto esquizofrénica, uma luz mais fidedigna para aclarar a discórdia óbvia que nos tem vindo a roer nestes últimos anos e iluminar buracos onde não conseguimos pôr a mão. Jurei a mim mesmo que, aí sim, só quando o editarem – e que o publiquem enquanto o senhor está vivo, peço por respeito – me disporei a gastar o meu pouco dinheiro pondo de parte o meu fanatismo não-religioso. Por muito que assim não o pareça e eu formalize ideias como práticas de iniciação ao fascismo de esquerda ou à não-prática desmesurada da modalidade “tirar finos de joelhos”, a segunda prática, desligada de ideologias, é a que me parece mais certa, contrariamente, é a que percorre o mundo político de lés-a-lés, o desporto favorito da gente fina, culta e ao mesmo nível brejeira que se esconde nos escaparates sombreados da sociedade portuguesa. Aliás, para perceberem a abrangência: críticas à esquerda no referido e enigmático (mas bem esclarecedor) livro não faltam e, do que li – espero não estar enganado –, pouco, deu para perceber que o senhor em causa, que o escreveu, também não parecia, no período da história em que se contextualiza o livro, querer definir um lado mas sim documentar uma época, as aceleradas e encapuçadas transformações da nossa sociedade que ainda hoje, comezinha e medricas, me leva a questionar se devo a dizer ou não dizer que a editora em causa é a Quetzal, e o que senhor, que espero não pôr em causa porque merece pelo contacto virtual que tive com ele todo o meu respeito, é, nada mais, nada menos do que José Rentes de Carvalho. Tanto ele como nós todos, mais do que publicações ensaísticas merdosas como a do José Manuel Fernandes (consigo gostar, mesmo assim, mais dele do que do Viegas) publicada pela fundação doutor Francisco Manuel dos Santos (diz que é presidida pelo António Barreto, metem-me também nojo este tipo de iniciativas comprometidas institucionalmente, suspeitas e socialmente perigosas), entre outras, a título de exemplo e comparação indirectamente temática, precisamos de uma dose de sinceridade que nos permita ir além da imaginação e da deturpação que historicamente, desde as nossas *fundações, ferramentas tão características, nos municionam esta psicose colectiva que nos vai levando, à deriva, neste mar de erros alimentado de pequenos erros, formulado mar morto por gente que tem medo da energia da rebentação das ondas. Não é, e cada vez menos, o meu caso. Felizmente, quando vejo uma onda, mas mais no verão, começo a correr e atiro-me de cabeça. Como muita gente, não tenho medo que me saiam os calções, muito menos de perder o meu (des)confortável lugar ao sol ou à sombra.

* sim, eu sei, a partir daqui, até pouco mais à frente, muito pouco, a sintaxe fica duvidosa, mas, se estiveres com atenção, percebes a piada; sim, é humor casual mas negro, claro.
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