sábado, 15 de outubro de 2011

AMANHÃ LÁ ESTAREI, SE TIVESSE CORAGEM, SERIA ESTE O MEU DISCURSO:

.
.

«Como é óbvio, pois todos percebemos na pele, atravessamos mais um período crítico e típico da história da humanidade. Desta vez, como sempre mas em moldes de época, parecidos aos de outras mas não idênticos, acabamos a questionar distraídos, parece-me, a própria democracia, que, como sabemos, é representada na prática por aquilo a que chamamos estado, e é aqui, neste ponto crucial, que é o da governação, que devemos parar para pensar melhor nos nossos protestos. Antes de mais, porque ainda exercemos direitos democráticos como este, devemos ter em consideração um pormenor fundamental que faz toda a diferença: não é o estado que está mal, pois é representativo da república, e a república, por sua vez é representativa e mãe, digamos assim, da democracia que tão orgulhosos, mesmo em momentos de crise como este, evocamos e nos serve de estandarte de uma série de direitos adquiridos que temos vindo a perder nestes últimos e poucos anos. É portanto importante, parece-me, percebermos que o estado só está mal por culpa de quem nos governa, gente que, como temos vindo felizmente a perceber e a acreditar, tem uma relação promíscua e até subserviente com o mundo económico e financeiro que influencia e dinamiza, como sabemos e na verdade, o nosso dia-a-dia. Devemos, portanto, com todo o cuidado, também, perceber que estamos possivelmente a ser instrumentalizados para arruinar com a forma de governação mais perfeita de todos os tempos, a própria democracia. Sendo assim, e reconhecendo que o estado funciona mal, é um facto, as nossas forças devem ser repartidas contra os elementos do governo e contra a estrutura economicista e perversa que nos trouxe tudo isto, e nunca contra o próprio estado. O estado, felizmente, e depois de uma luta de anos, acaba por ser o nosso último reduto de manobra e esperança para um equilíbrio social que tarda por falta de pessoas capazes. Queimá-lo, como tem vindo a acontecer nos últimos anos, é deitar as pessoas para uma fogueira de dinheiro criada, por trás de tudo isto, nas mãos de gente demasiado diabólica para sequer pensar nos nossos direitos e nos dos outros. Derrotar o estado, é portanto dar ainda mais poder a gente como esta. Vamos, é tempo de salvar a democracia da crise, renová-la recuperando e procurando valores que só agora percebemos como verdadeiramente importantes. Façamos deste dia 15 mais um feriado, um dia que não possa ser anulado do calendário por motivos económicos, um dia para celebrar a qualidade de vida e a vontade das pessoas.»  
.
.

Sem comentários: