quinta-feira, 1 de setembro de 2011

UM GAJO FICA UM BOCADO EGOÍSTA, É UM FACTO

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Tudo bem. Estou desempregado e sou suspeito (talvez ande a cirandar demasiado pela internet): gostava de poder e sentir-me, com pouco para fazer, tão bem quanto o velho Joe. Mas o problema não é esse, é outro: como é que em Portugal não se publicam livros onde se lêem trechos com pormenores como o que pus a negrito:

“Joe Gould é um homenzinho alegre e macilento, conhecido em todas as lanchonetes, tabernas e botecos imundos do Greenwich Village há um quarto de século. Às vezes, ele se gaba de ser o último dos boêmios. ‘Os outros todos caíram fora’, explica. ‘Uns estão na cova, outros no hospício e alguns no ramo publicitário’. Sua vida não é nada fácil; três flagelos o atormentam: falta de tempo, fome e ressaca. [...] Tem 1,62 metro de altura e dificilmente pesa mais que 45 quilos.[...] ‘Nos Estados Unidos, sou a maior autoridade em privação’, garante. ‘Vivo de ar, autoestima, guimba de cigarro, café de caubói, sanduíche de ovo frito e ketchup”.

Joseph Mitchell,
O Segredo de Joe Gould

Pois, depois de ler uma pequena reportagem sobre o mundo editorial em Portugal, representado por Manuel Alberto Valente, Zeferino Coelho, Nélson de Matos, Carlos da Veiga Ferreira e Maria Piedade Ferreira (todos, diz na revista onde tal, de respeito, e eu acredito), cheguei a uma conclusão: os nossos editores, com alguma razão, andam desiludidos com o mundo, estão “numa encruzilhada”, pior: deixam-se, por razões várias, engolir pelas maquinações do mundo actual e em ebulição. O que é, diga-se de passagem, muito triste.
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