quarta-feira, 7 de setembro de 2011

QUE CURTA FOI A NOITE

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Cheiram a ti os lençóis, amor, e teu livro
está ainda aberto sobre a mesa
e há roupa pelo chão e discos e tabaco.

Mesmo que aqui não estejas, meus braços buscam-te ainda.
E nesse fingimento de abraçar-te na almofada
persigo tua imagem, tua cintura, teus ombros.

Teu corpo não foi um sonho e talvez na casa de banho
a escova de dentes me espere, molhada da tua boca,
ou as húmidas tolhas que secaram tua pele.

Cheiram a ti os lençóis. O bairro acorda.
Há vozes nas ruas e luz para lá das persianas.
O sol deve estar alto. Que curta foi a noite.


Abelardo Linares
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2 comentários:

Anónimo disse...

GOSTO MUNTO !!!!

ass: personagem que tu sabes que sabe que és um poeta

Daniel Ferreira disse...

obrigado, mas não fui eu que escrevi.

quanto a ti, personagem, qual delas és? há tanta gente que eu sei que sabe que eu escrevo poemas...