sábado, 3 de setembro de 2011

OS DOIS GRANDES HITS DA UNIVERSIDADE DE VERÃO DO PSD

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Direita que se preze, prima pela cultura da ignorância. Era assim no tempo do estado-novo e, pelos encontrados, na década de oitenta – o que vem a seguir é prova –, também; o que demonstra ser talvez um problema intemporal. Anda um gajo por aqui, a tentar encher balões, e de repente depara-se com prendinhas internéticas destas:

«É o disco número um da Fundação Atlântica e, por muito que se embirre com a editora (aqui não é propriamente o caso), tem que se dar o braço a torcer perante os contornos épicos de uma primeira edição em duplo single – provavelmente o formato mais espectacular para se editar o que quer que seja.» A natureza aparentemente fofa do disco, contudo, não nos pode fazer esquecer as salganhadas históricas da sua génese. Como se sabe, no início dos anos 80 um grupo de amigos fartos da hegemonia barbudo-marxista no meio musical decide adoptar uma postura assumidamente “à direita” e voltar a falar de Portugal com uma lata como há muito não se via. O fruto mais visível destas aventuras – cuja fascinante história ainda está por contar como deve ser – foram os Heróis do Mar, e logo a seguir a Fundação Atlântica.
 
Com o Clube Naval, Miguel Esteves Cardoso e seus comparsas decidiram deixar de lado a estética marcial de olhos arregalados ao céu que Pedro Ayres Magalhães adoptara nos Heróis, e optaram antes – talvez pela primeira vez na História – pela promoção descomplexada de uma identidade beta, que aqui toma forma nos corpos tenros de duas adolescentes do Estoril. As meninas cantam sobre a praia e o colégio – dois elementos basilares do luso-betismo – e queixam-se da indiferença do professor e do salva-vidas, podres de bons mas indiferentes aos seus coraçõezinhos. A ficha técnica indica que os temas são compostos por Ricardo Camacho, mas não esclarece quem os toca – salienta, porém, que as meninas são vestidas pela Tara e que “a cor mais linda é o azul”. Valha-nos isso. Ainda que a música possa não surpreender – electrónicas dançantes como se fazia no estrangeiro, remixes incluídos e tudo –, é aqui, neste casamento inusitado de uma estética proto-beta com uma insinuação algo rebarbada de despertar sexual lolitiano, que o disco do Clube Naval se torna um objecto sem igual. Sacanço obrigatório, portanto.»



E como o ridículo permite tudo, incluindo transportar a mensagem dos dois singles para o nosso presente, fica o bitaite: o primeiro, “Professor Xavier”, notoriamente nabokoviano e quiçá marveliano, é obviamente um grito de desespero e de ignorância dirigido ao grande ícone sentado, aparentemente sábio, do partido: Marcelo Rebelo de Sousa. Já o segundo, “Salva-Vidas”, parece um hino ao grande e musculado FMI, a sua letra não engana. E sem mais demoras ou palavras, para quê?, aqui ficam as preciosidades + uma, denominada “Salva-Vidas (Mistura Muito Rica)”:
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