quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A NÃO-VIOLÊNCIA PODE SER UM DOS CAMINHOS MAS POR SI SÓ NÃO CHEGA

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TV

Pais ingleses, benevolentes (digo eu como quase todos hoje em dia), na tv, entrevistados a propósito das manifestações de violência em Inglaterra, afirmam que não vêem nas manifestações mais do que miúdos que querem roubar; que esperam do exército uma resposta eficaz ao problema. Não sabem, ou simplesmente não se lembram dos seus filhos: perdidos nos subúrbios, em becos, assaltos por fantasmas de um futuro incerto, alheados da realidade por excesso e deformidade.


OPINIÃO

Enclausurados pela sua geração, tecnológica e nada iconoclasta, contraditória q.b., vejo nestes miúdos, como vi numa chavala entrevistada a tentar explicar as suas e as razões dos outros, um sufoco e um vazio enorme, uma necessidade de revolta que as palavras não conseguem justificar. Pior, ouço outros, da mesma geração, com a mesma necessidade de contra-cultura, aparentemente à margem e contra o sistema (por moda?), condenar os actos de violência sem mínima ponta de argumentação, completamente às aranhas ou entregue à posição fácil que legitima as causas e tiraniza ainda mais as consequências, os actos de violência que, por si só, são já suficientemente excessivos.


CONCLUSÃO

Não quero com isto legitimar os incendiários e os revoltosos, mas parece-me que ao abordarmos levianamente assim as coisas, facilmente e sem o mínimo de reflexão, tendenciosos ao ponto de, por outro lado, legitimar deficiências políticas e económicas propiciadoras de mal-estar, discorremos no risco de sermos tão destrutivos, ou auto-destrutivos, como os putos em causa. Sem a desculpa de sermos putos à deriva, claro.
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