quarta-feira, 1 de junho de 2011

VOZES COM CARNE, VINHO, LEGUMES E PALAVRAS

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Não colhemos frutos
nem tão pouco os comemos,
limitamo-nos, embriagados
do olhar ao conforto, a aquecer
as vozes com carne
vinho e palavras,
cada qual com a sua
sina a tocar incessantemente
como um disco
de uma só faixa:
a misturar, como tão bem
transpira o nosso tempo, sem procurar
um lugar definitivo
para lá do quarto que nos ampara
no final da noite,
de madrugada, o lugar das coisas
e das tonalidades mais obscuras
que se escondem por detrás da alegria
que nunca nos é suficiente.
Sempre prontos a desistir
para depois – mais uma
e outra vez – recomeçar, até
que por si
apodrecem e caiem.
Fruta madura fora de época.
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