quinta-feira, 26 de maio de 2011

SE NA VEZ DE YELSIN VIAN

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Carregaria num simples botão
e, no jardim da cidade, uma torre de finos
gratuita importunaria o meu ócio.
Depois das duas horas
de trabalho equivalentes à equação
da previsão anual, nada melhor
do que um passeio e cerveja fresquinha
para aliviar o aquecimento global.

Estantes imunes à chuva,
carregadas com todos os livros do mundo,
excepto os inflamáveis,
ostentariam as melhores traduções feitas por máquinas
depois de descoberta a tecnologia
capaz de aproximar – o mais perfeitamente possível
a musicalidade, a semântica, a semiótica dos enredos
como nenhum homem alguma vez conseguira.

Um mundo, outro mundo, entregue
à perfeição por ordem consequencial
da probabilidade,
povoada por uma população que de tudo
já teria visto, demais e indisposta, naturalmente
para qualquer tipo de injustiça.

Um universo de mulheres descalças
e eu: uma ilha, fechado sobre o arquipélago dos meus sonhos.
Disposto a deitar-me,
sossegado, para mais um dia de trabalho: acossado
pelo segredo dos deuses eléctricos. 
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