segunda-feira, 7 de março de 2011

DA SINCERIDADE E DAS NÃO-RESPOSTAS (VIVEMOS NUM PAÍS DE RESPEITINHO E MUITO BONITO)

.
.

Há já algum tempo, era eu mais novo uns meses, deixei o seguinte comentário no espaço de uma senhora, editora de um dado grupo editorial, que se demonstrava preocupada com a escassa edição de poesia nos tempos de hoje, com a extinção dos poetas portugueses:

Deste texto e desta problemática levanto uma questão (e responderei por mim) que me parece pertinente e construtiva: será que é assim tão mau, os grandes grupos editoriais ignorarem a poesia?

A meu ver, se quer que lhe diga, parece-me óptimo. Se tivermos em conta que o grosso das publicações dessas “massas disformes e sem carácter” pautam pela crescente falta de exigência e qualidade, pelo mediano como garantia, podemos, penso eu, aritmeticamente concluir que esse hiato – o do desleixo do mercado pela poesia – deve ser preenchido por pequenas editoras que garantam a mínima qualidade, mesmo que feita pelo gosto. Aliás, não é preciso ir muito longe (como em muitas outras coisas) para perceber que, mesmo aqui ao lado, em Espanha, a poesia vive desse circuito "secreto" de editoras viradas exclusivamente para a poesia. E se aqui, em Portugal, nessas proporções já se vê alguns casos de crescente sucesso, o nosso problema, parece-me, vem da cultura editorial que ainda vinga apoiada nos sucessos numéricos de outros tempos – quais sebastianistas perdidos no deserto até que encontram oásis maravilhosos para iludir a sua sede. Se calhar sou eu a sonhar alto, mas só ao fomentar um mercado editorial de risco pela quantidade podemos atingir a qualidade e reeducar os leitores perdidos. É preciso, claro, haver pessoas com coragem e dinheiro para isso, mas isso já são outros quinhentos paus.
Já agora, e finalizando: isto tanto se aplica ao mundo editorial como ao universo livreiro.

Os mais sinceros cumprimentos

Se vos disser que, apesar da minha auto-resposta à pergunta, mesmo assim, esperei em vão uma resposta, acreditariam? Pois, foi mesmo isso que aconteceu. Pensava eu para mim, convictamente, que algo de mal haveria de encontrar a senhora na minha verborreia, mas nada. Pareceu-me o comentário construtivo e pertinente e, mesmo assim, nada. E isto só prova uma coisa, ou não. Afinal, a preocupação da senhora: mero e assertivo exercício de estilo. Vale-me no entanto, com toda a sinceridade, a sua resposta interessada (e mesmo relacionada com o assunto) a um comentário que perguntava o autor de um dado trecho nele transcrito:

Caríssimo,
Há perguntas que não têm simplesmente resposta...


.
. 

Sem comentários: