quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

SER UMA AFRONTA COM CABEÇA TRONCO E MEMBROS

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Só aqueles que nunca atentaram contra os pais, que nunca os expuseram ou, consequentemente, lhe explicaram as suas próprias ideias, dolorosas, chocantes ou não, podem alguma vez revoltar-se contra eles, contra a sua geração. Os pais, descobri eu a dada fase da minha vida, também se educam, precisam aliás disso para contrariar o sentimento crescente de incompreensão que a velhice lhes traz; o isolamento que os persegue, aparentemente, até à própria morte. Ser filho, mais do que uma contradição geracional perante a dos seus pais, é ser uma afronta com cabeça tronco e membros, mesmo quando a compreensão escasseia e o silêncio (podre) parece ser a melhor opção. Já diz o ditado: «água mole em pedra dura tanto bate até que fura», e não é por acaso. Todos nós, filhos, apesar de todos os diferendos, diferenças e discordâncias, chegamos um dia a essa conclusão. Acreditar em roturas geracionais, é, pois, pura ingenuidade; geneticamente impossível.
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