terça-feira, 4 de janeiro de 2011

LEITOR

 .
 .

Proteger de ti as palavras
é como dizer à faca
que não há local para repousar.
A tua carne, bem dentro
de tudo,
pede sangue que não verta;
pede jorros intravenosos, leitor.

Eu que quando escrevo
escrevo sempre
contra ti, não peço da violência
uma oportunidade para matar,
peço uma nova
renascença que esventre pacotes
clássicos
e te solte bem as mãos, os ouvidos.

Acredita, leitor. Eu que também
leio, já me vi ferido
muitas vezes. Vê
se acreditas em mim
que nunca morri:
homem cheio de defeitos
e algumas virtudes. Pouco
dado a créditos
e outras esperanças.
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