quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

LABIRINTOS DE SILÊNCIO

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Hoje dei por mim ancorado
àquela força labiríntica a que queremos,
à força, chamar amor.
Dei por mim na cozinha,
cigarro aceso com os olhos no nada,
em frente à marquise interior,
a repetir os gestos do passado de minha mãe.
Percebo finalmente que aqueles silêncios
de fios voláteis, os braços pousados
sobre a banca
e a humidade do pano da louça,
não eram mais do que os seus labirintos de silêncio.
As suas amarguras escondiam
as indecisões de carregar a vida numa mochila
sem alças, a mesma que se abria
repentinamente para soltar impropérios
injustos e arrasadores.
Compreendo finalmente que eu,
agora, em frente ao portátil
a fazer horas para fugir de entre muros,
essa terra de ninguém,
não posso então cair nesse mesmo erro
egoísta                       
que até ela já não comete. Ciente
de que, mais do estarmos
sós, o importante
é sabermos estar acompanhados.

..

4 comentários:

Jordan disse...

nem sei como expressar em palavras o sentimento que me transmitiram estas sua palavras, ... familiaridade talvez, ver imagens e sentir esses labirintos de silêncio e a maldita mochila sem alças que nos piores momentos abre-se e faz-nos andar de rabo pro ar a juntar o que se espalhou, a procurar o que se perdeu...
A reter "... o importante é sabermos estar acompanhados"
Obrigada
Maria João Nunes (Jordan)

Daniel Ferreira disse...

Ora essa, eu é que agradeço.

Maria Rita disse...

Belíssimo!!!!!!!!!!!!


Beijos pra Ti

Daniel Ferreira disse...

Fico feliz por saber.

Os mais sinceros cumprimentos.