quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A DIFERENÇA ENQUANTO ATITUDE INDIVIDUAL E NÃO COLECTIVA

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Comprei, um dia destes, no alfarrabista João Soares, no porto, uma primeira edição portuguesa do Viagem ao Fim da Noite. Confesso que, como sempre, só o comecei a ler meses depois, como faço com quase todo o livro que compro. Sabia, na altura, vagamente, que trazia sob o braço um escritor maldito, um anti-semita escatológico odiado pela opinião pública. Hoje que já li umas largas páginas iniciais, depois de mais uma passagem por um daqueles espaços virtuais de leitura diária, decidi-me, por somatório sugestivo, a fazer uma pesquisa para me conseguir situar no contexto histórico e ideológico do hombre. Fiquei surpreendido quando encontrei este texto esclarecedor. Mesmo assim, encontro nele, mais uma vez, o lado suspeito da barricada judaica. Não que tenha algo contra os judeus, pois não são todos iguais, mas apenas porque me assustam certos princípios contemporâneos da ideologia judaica. Tal como da cristã, da muçulmana, e de toda e qualquer outra que continue a minar a paz no mundo. É certo que de todas podemos tirar coisas muito boas, mas o orgulho nelas, como referi neste texto, a sua força, acaba sempre por minar a paz e procura tão só reduzir o mundo a cinzas de uma religião única – detentora de uma razão moral normalizadora.

Incapaz, porém, de desresponsabilizar Céline, por ignorância e cautela, pelas suas atitudes anti-semitas, inegáveis, panfletárias, posso no entanto concluir que tudo isso adveio do eterno instinto fácil e natural impulsionado pelo medo. De norte a sul, de este a oeste, em todas as milimétricas subdivisões da rosa-dos-ventos, o que é preciso, e notei isso no que já li do livro, é trazer sem divisões a paz ao mundo. Seja ela paz bélica, mental, corporal, ou outra coisa qualquer. Só não peço, por favor, paz de espírito. Pois os espíritos e as almas só existem na terra dos mortos, sempre do outro lado da desnecessária barricada. Posso no entanto dizer-vos que tudo isto, que (como já disse) começou aqui, deve-se apenas à causa Israelopalestiniana (tudo junto). Não sendo eu de esquerda nem de direita, simplesmente (e recentemente) um apolítico minado pelo seu tempo, ateu e agnóstico simultaneamente, não posso tolerar que em pleno século vinte e um ainda ajam pessoas em prol do orgulho judeu. Principalmente, como se pode perceber neste magnífico texto, quando falamos de pessoas ditas e confirmadamente civilizadas. Acho que falar de judaísmo, em qualquer parte do mundo, sem falar na injustiça palestiniana alimentada pela israelita é crer orgulhosa e estupidamente nos ciclos do eterno retorno: teimosia (inocência?) a mais e compreensão a menos. Parece que vivemos num mundo de autistas.
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