quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

DESMISTIFICAÇÃO EMOCIONAL

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Soterrou-me durante anos
nos túneis labirínticos da incerteza.
Uma ideia, até se transformar
em certeza, precisa de muitos solavancos,
de altos e baixos até que, impressa
pela escrita, se aperfeiçoa o gesto.
E, da causa a consequência, de uma certeza
que já lá estava
arrastando-se na suavidade da lama,
surge então a voz que assim nos obriga
à afirmação insolúvel de esquecimento:

Procurava dizer que era poeta,
mas admirava com afinco os escritores.
Sem qualquer tipo de vaidade,
achava que, esculpindo-me,
encontrar-me-ia no caminho certo,
no amarelo desvio para o hiato
teimoso entre a janela do meu quarto e o cemitério.
Estava errado, agora não foge. Sou apenas
um homem que escreve,
uma criança que brinca, isolada de castas,
entregue à escassez do próprio amor
que nos foge e encontra – nas noites
de todas as vozes possíveis e imaginárias:

Quero, improvável, compreender-me
ser compreendido,
abandonar com alento
a capa ilusória da indiferença.
Tudo promessas, vagas, enredadas
na alteração suficiente dos dias:

Simplificando.
Encontrei os meus sentimentos
guardados no lugar do coração.
Agora é tarde, o caminho é outro

falo aqui
do meu lugar
na vida das coisas.
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2 comentários:

alice disse...

daniel, um bom natal para ti! :) um beijo.

Daniel Ferreira disse...

Porque nunca é tarde para agradecer, um bom dia de natal para ti também. beijos