terça-feira, 14 de dezembro de 2010

CONSCIÊNCIA DE CLASSES

 .
 .

Raramente se debruça a classe dominante para resolver os seus problemas perante os outros, sobre a sua problemática com o mundo. Fecha-se, sempre – qual ostra com pérola –, sobre si mesma; embalada pelo único sentido que conhece. Não há, para ela, um mundo; há, e é um facto, um microcosmo em expansão, um outro que não este sobre o qual me debruço com palas suspeitas, do lado de fora. Um facto curioso, também, e aproveitando a metáfora da pérola, é poder notar que os porcos da minha laia, sem dinheiro, são os mesmos que procuram esse óbvio e libertador símbolo para se fecharem igualmente sobre ele para virarem majestosos ostraceiros – pois toda a gente quer voar à vontade. Aliás, classe com classe, como acontece, é aquela que se identifica contemporaneamente com os mais pobres (ou ao contrário) desgraçados da base da pirâmide usando os mesmos argumentos, talvez por solidariedade, na procura de uma desculpa para abafar a sua inata miséria humana: esta que sempre nos pertenceu. Começo a acreditar, vagamente, que o problema do mundo está nesse confronto que afinal não é mais que um encontro. O rico foge, e o pobre – que remédio maligno – tenta acompanhá-lo. – Cada vez mais, e mais uma vez, os dois do mesmo lado da barricada: no da violência. Parece que há coisas na nossa história que não podem, assim, ser apreendidas.
.
.

Sem comentários: