domingo, 28 de novembro de 2010

DESMISTIFICAR A COSTUMEIRA MORAL

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Já fui, em puto (mas já não sou) um pouco preconceituoso no que diz respeito às raças, aos credos e a toda e qualquer identificação colectiva em prol de uma ideologia. Tinha a minha em construção – fez parte do meu crescimento. A diferença, mesmo assim, e como é óbvio: existe. Individualmente também, e a questão que me leva agora e sempre a crescer é essa. Acabei com o tempo por desmistificar o perigo das ideias feitas e, principalmente, por aprender a ignorar – como ateu e já vão perceber – as afirmações no sentido de: de mim (colectivo) para os outros, dos outros (colectivo) consequencialmente para mim, e vice-versa. Não faz algum sentido – nenhum, aliás – agora, em pleno século vinte e um, hastear o orgulho; e a história, muito de si natural, já nos fez perceber claramente que o orgulho na diferença, a magia do colectivo oprimido ou opressor, acaba por cair em rotinas cambiadas como num jogo de ténis com raquetes sem rede. Mais vale ser enquanto ser, redundante e acertado, penso. Vejamos por exemplo as duas crenças em voga sabendo que da nossa parte o cristianismo é o que é: já tendo passado essa fase mistificadora. Temos então o islão e o judaísmo (com letra minúscula). Entre os dois, o aparente e eterno confronto: o estado de Israel e o mundo muçulmano. Acho que não é difícil, pegando nestes dois casos e no nosso passado geográfico-religioso e nos resquícios que ainda imperam por teimosia decadente e já pseudo-institucional, fazer as contas e perceber que o ódio impera por excessos do foro adulador e espiritual. Mas há ainda quem insista, quem se posicione neste eterno confronto, do lado de fora da barricada babélica, obrigado a negar-se ao funcionamento do mundo enquanto mecanismo decepcionante confirmado por todos. Querer insistir nesses temas, nessas identidades ideológicas já não faz qualquer tipo de sentido, é até uma enorme estupidez. Mais para uns do que para outros, a procura ou a insistência por uma identidade é um assunto delicado por resolver há já demasiado tempo. É triste e até revolta. A teimosia que nos guia é mesmo assim, não nos proporciona consentimento e muito menos nos ensina a saber o nosso lugar no mundo, sem endeusamentos e ideias feitas. Como acontece, neste texto, vivemos, na ânsia pela compreensão, a tentar impor uma posição. Neste caso sensato – se não custar muito. 
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