segunda-feira, 15 de novembro de 2010

CONTINUAR

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Sem um rumo previsto,
com o carro a 120
pela auto-estrada,
e tu, a meu lado,
a sorrir,
a falares-me sobre Julio Cortázar,
sobre a sua loucura, a Maga,
e a tua vida.

Na tua cara de sonho,
nos teus olhos
ainda nublados,
observo o ir e vir
da nossa noite,
esse abraço e
o teu despertar.

– Estás muito calado,
dizes, e penso:
não quero chegar
ao nosso destino.
Não quero
que se acabe
o gasóleo.

Só quero
que
nunca
acabe
a nossa viagem.
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Antonio Huerta Orihuela
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