terça-feira, 28 de setembro de 2010

CEUTA

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Trazes no bolso
contigo, no repetitivo dia em que nasceste,
as Odes ao Vinho,
de Omar Khayyam, com o autocolante
da biblioteca da tua
cidade,
Raul Brandão.

Pago-te uma cerveja – pois mais
não posso – e falo contigo
sobre o lugar
das pessoas, sobre a poesia
que nos fascina
e esse tal vinho que nos encanta.
                           
Enumeras palavras de aristocratas
e eu confesso: detesto,
sou preconceituoso. E tu,
nem de propósito,
falas-me de Carolina
Michaëlis, uma estação de metro
óptima para dormir.

Sabes, tal como
eu, que a dignidade, mais
do que vitória
e certeza,
é esta estranha forma de olhar o mundo,
que se reflecte
no teu olhar.

Isso, claro, e o valor
de um abraço,
depois de te falar em Bukowski.
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