sexta-feira, 24 de setembro de 2010

BEST WESTERN HOTEL INCA

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À esquerda da travessa, quem
sobe
somos nós. Ao lado da esquadra
um hotel que ainda hoje
de seu nome
me ecoa no aquário.
BEST WESTERN HOTEL
INCA. Pode ser nicho
de escreventes,
servir whisky. Deixar entrar putas
ou companhias
dispostas a atravessar-se na cama
como quem varre uma feira
e deixa para trás caixas
cartões
e tendas desmontadas pelo vento.
Acredito nisso. Faz-me aliás
lembrar alguns poemas
desolados de um dos Paneros,
um ou outro de Freitas
e toda uma necessidade de tristeza
que soa a lamechas
em certos momentos como
este:
em que atravessamos a rua,
gargalhamos
e tentamos esquecer a solidão
comparticipando-a,
no encalço de mais um copo
e de um sorriso. Sempre
prontos a eternizar, aos poucos
e por tentativas, a revolta
que não nos dói
na noite –
na vertigem da altura.
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