terça-feira, 17 de agosto de 2010

NÃO GOSTO DE PRODUTOS

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Há sem dúvida
mulheres
que não me interessam.
Embora uma mão
chegue para contar
as que me tiveram,

sem dúvida mulheres
que não me interessam.
Posso logo começar
pelos meus preconceitos
estéticos. Uma mulher
muito pintada, unhas grandes
e saltos anos,
não me fascina muito.
Tem tudo isto a ver
com o cânone, mas há
excepções, claro.
Por exemplo,
uma com o kit todo
e mais uns quantos
adereços
como: sentido
ético, reprovação
constante do mundo, etc.
é sempre
bem vista sob os meus olhos,
não posso negá-la.
Gosto também
e não surpreendendo,
de curvas e contracurvas,
de um pouco de melan-
colia também.
Agora daquelas putas
que servem
os propósitos generalistas
do mundo
claramente que não
gosto
tal como do equivalente
em cabrões
do mesmo sexo
que eu: é tudo merda
do mesmo cu.
Gosto das helénicas
mas não
de todas, das feias
que mudam
com o tempo os nossos
olhos, mas também
nem de todas.
Já conheci algumas
com deficiências
também bem interessantes,
capazes de suscitar
em mim
alguma curiosidade mais
bizarra. Mas por essas
que aparecem
na tv e nas revistas,
a tentar vender
tudo e mais alguma coisa,
e do corpo até eu
gosto, não sinto
a mais mínima curiosidade.
Basicamente
é isto,
e é bom que fique
poeticamente
registado: há sem dúvida
mulheres que não me interessam
e às vezes as mais
belas são sem dúvida
as mais feias,
e as verdadeiras até escapam.
E se isto aconteceu
comigo:
tamanha alienação
do património natural,
só me resta concluir
que o mundo (re
confirma-se) está mesmo
mesmo
todo fodido.
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