quinta-feira, 15 de julho de 2010

A NAIFA

.
.

O nosso país está morto. Não fugindo à regra europeia da decadência política, acaba, como sempre, por estar ainda mais do que morto, já em estado de decomposição. Por esse mundo o cenário é péssimo, alegre de tão dramático, mas aqui neste canto de terra boa para enterrar caixões, como suspeito cidadão deste país, o cenário parece irremediável; vejamos por exemplo o nível da nossa classe política. (Repito: por esse mundo fora, ou há menos maus, ou piores, e é uma alegria saber disso.) O CDS, a propósito de uma proposta de lei apresentada pelo próprio partido, confirma-nos estupidamente isso. Mote pela voz indignada de Portas “Peço que me dê uma boa razão para que um delinquente que é apanhado em flagrante, (…) continue a receber o rendimento mínimo, como se fosse justo e solidário andar com uma arma na mão e com a mesada do Governo na outra”, ao que Sócrates respondeu “pura demagogia”. Só posso então pegar no assunto e fazer uma analogia; no campo político, assim como no assunto em questão, para nossa alegria filosófica, estamos em estado letárgico, sem soluções à vista. Quando a própria oposição (de merda, na sua generalidade) dá oportunidades como esta ao governo - lembrando-o que afinal é de esquerda - só temos que ficar muito felizes com esta crescente depressão que nos anima. Aliás, com oposições deste calibre, com esta profundidade, não esquecendo outras mais caladas e outras de mera continuidade, exceptuando na cor que nunca deveria ser vista como factor de separação, deveríamos reformular a adjectivação e chamar-lhe manutenções. Bem ao nível das equipas de futebol que lutam por elas todos os anos correndo o risco de descer por falta de dinheiro na secretaria.


[foto gentilmente cedida por JoséFerreira].
.   

Sem comentários: