terça-feira, 8 de junho de 2010

EM COMUM

 .
 .
Não temos em comum
as mesmas vivências, os mesmos medos
os mesmos amores,
esta mesma vontade de saber
estar vivo, de animar o corpo
entristecer a alma,
esquecer o passado e apagar o futuro.
Não sabemos o lugar indefinido das coisas,
sabemos os concretos,
os disponíveis,
as possibilidades maravilhosas
que às vezes se apalpam,
as tristezas periódicas
que não são mais do que teimosia,
mais do que o sangue que não
se vê: olhos que se escondem, pálpebras
que se fecham, cigarros que se apagam,
sorrisos esquecidos pelo seu som
que é o silêncio.

Temos sim, em comum
as mesmas mortes, as mesmas coragens
os mesmos desamores
este mesmo fracasso de não saber
estar vivo, de desanimar o corpo
alegrar a alma,
lembrar o presente e apagar o passado.
Sabemos o lugar definido das coisas,
sabemos os inconcebíveis,
os indisponíveis,
as possibilidades horrorosas
que raras vezes se apalpam,
as alegrias constantes
que não são mais do que distracção,
mais do que a água que
se vê: olhos que se afirmam, pálpebras
que se abrem, cigarros que se queimam,
sorrisos lembrados pelo seu som
que é o silêncio.
.

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