quinta-feira, 20 de maio de 2010

SHARED FILES

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Esgrime e contra-esgrime.
Diz e contradiz; arranja-te, representa-te.



O fantástico, no mundo das palavras, não implica exclusivamente vampiros e outras criaturas e universos do género. O que é fantástico, no mundo das palavras é a possibilidade de contradição a cada palavra, a cada frase, a cada texto, e quanto maior for o espaço a explorar, melhor. Por muito que o volume se adense, e as ideias e afirmações e negações se encaixotem, as imperfeições retóricas, se tivermos atentos, vem sempre ao de cima. Confesso que talvez ainda tenha uma certa dificuldade em dominar isso, mas um bom escrevente, se assim o quiser ser, tem que aprender a abater esses erros. Não é fácil, não é fácil, implica boas intenções e algum cuidado circunstancial. Mas os tempos, estes - tão verdadeira e ilusoriamente difíceis - não são para menos; absorvem-nos de tal maneira, que já nem sabemos sequer o que escrevemos. Tudo se resume, simplesmente, a uma pergunta. Sabes o que comeste naquela segunda-feira de há três semanas? É muito triste, eu sei. É tudo uma questão de dignidade; coisa que eu nunca quis ter. Mas vá lá, na bloga não pode haver desculpa, há sempre um passado que pode ser consultado. Pode haver, se quisermos, um pouco de compreensão, e isso não me falta. Quem se diz e desdiz há-de sempre caminhar para melhor. E quanto a isso, como é costume, não tenho a mais mínima dúvida. As palavras estão, aqui, quer queiramos quer não, neste espaço, para isso mesmo: para serem úteis para lá de mim. Chamem-lhe agora o que quiserem.
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