quarta-feira, 12 de maio de 2010

A ORIGEM DA TRAGÉDIA

.
.

Parece, de repente
(ou nem por isso) que a Europa
voltou à escola. Cada país, a lembrar os alunos
mais aferroados do meu tempo recente,
tenta dar prova de uma tragédia
que pode ser salva, mas sempre à medida de uma identidade
e de amizades casuais
que rejeitam outras no recreio.

Os pais, ao longe, massa distorcida
já na torrente da vida, fazem de conta que tudo
corre bem, mas esperam a melhor nota
do seu e da turma,
enquanto alguns trajam agora
as suas capas negras, num jogo de símbolos encriptados
pelo constante futuro do presente.

Na escola, os professores
são pais. E os que não são, nem deveriam tão pouco ter
filhos. Quando fecham o portão, os funcionários,
parece que o mundo lá fora finalmente sorri,
desagrilhoados da esperança e da emoção
que começa agora a sério
a varrer o mundo, numa noite igual
a todas as outras.   
.

Sem comentários: