quinta-feira, 22 de abril de 2010

CLINICAMENTE SIMPÁTICA

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A mão
tremia, a acusar a pressão
de um olhar. Da sua
pose:
pernas abertas, anca
encurvada para frente, cabelo ligeiramente
caído. A minha mão
esticada sobre uma tábua,
lacada a branco,
a condizer
com as paredes da urgência.
Nos olhos
um verde
diferente do das batas.
Vibrante e seguro.
Enquanto a agulha,
suave
e afiada me penetrava a carne.
Vi ali, no hospital, no
local onde
também as mortes se confirmam,
a mulher perfeita.
Eu que sempre fui
um homem
doente, a procurar
unir pedaços que se vão
descosendo.
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