quarta-feira, 10 de março de 2010

EXERCÍCIO SUPÉRFLUO

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Tenho um exercício para propor. Pega numa folha, de papel, e desenha um boneco. Logo a seguir, se ainda tiveres paciência, desenha outro igual, se preferires, põe um simples espelho junto à folha, a noventa graus da horizontalidade dela. Verás, logo aí, que nenhum deles é igual, mas formulas, num e no outro, na imagem e na suposta réplica, uma semelhança por obrigação – quanto mais não seja porque to propus. Se entretanto o boneco ganhar vida, pois agora a situação é tua, e não minha, não te admires se eu ficar desiludido. Nunca te disse, neste exercício, que eu era um gajo sério, parecia. E a partir daqui, tudo está à tua responsabilidade. Goste ou não, o boneco ganhou vida e parece que acredita, apesar de tudo, na imensa credibilidade dos homens. Sobretudo quando são imagens ou simplesmente figurações. Em cada um deles (e de nós) existe um formulário para tudo, uma imensidão de suposições que cumprem os requisitos de todos os outros. E tudo isto para quê, perguntas. Muito simples: bonecos e réplicas, imagens e pessoas, são sempre incertezas demasiado óbvias para supormos os seus propósitos. A trama da nossa rede é sempre demasiado larga para apanhar o peixe mais miúdo. É mesmo assim. Não há preconceitos que nos salvem: nem a nós nem aos outros.

[Se entretanto, apesar da minha supérflua explicação, a tua dúvida ou da do boneco permanecer, não hesites: procura a solução do exercício no reverso da folha.]
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