quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O SUPRA-MODERNO



Ele era um supra-moderno. Para evidenciar esta nova designação, decidiu rejeitar, tanto a nível musical e artístico como a nível pessoal, todos aqueles que pactuavam com o fabuloso mundo económico e financeiro, principalmente todos aqueles que vendiam a alma à publicidade. Certo era, para ele, que todos (absolutamente todos) já tinham sido comprados; acima de tudo, porque o cerco era já inevitável. E se a desilusão, posta nestes termos esclarecedores, se tornava num fardo suportável, não conseguia evitar a sua variante: a surpresa. Com tristeza e muito esforço, renegava então tudo aquilo de que tanto gostava. E isso fazia-o, como é óbvio, sentir-se cada vez mais e mais sozinho.

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